Com o avanço da IA, as empresas ainda precisam de um parceiro de BTO?

Por Luiz Gustavo Bueno Lopes, diretor executivo da Interfile

Uma pergunta tem se tornado recorrente nas conversas com clientes e prospects: se a inteligência artificial está tão avançada, por que ainda é necessário contar com um parceiro de BTO?

É uma questão relevante. A resposta está na diferença entre adotar uma tecnologia e integrá-la, de forma estruturada, à operação.

IA, por si só, não transforma uma operação

Modelos de linguagem produzem, resumem e analisam conteúdos com rapidez. Mas uma operação empresarial depende de muito mais do que respostas geradas por IA. Ela precisa de dados conectados a sistemas legados, validações orientadas por regras específicas do negócio e integrações com órgãos públicos, instituições financeiras e outras plataformas essenciais. Para gerar resultado, a IA precisa estar conectada a essa estrutura operacional.

Segundo o Connectivity Report 2026, da Salesforce, 96% dos líderes de TI afirmam que o sucesso dos agentes de IA depende da integração entre sistemas, enquanto 94% avaliam que esse avanço exigirá arquiteturas mais orientadas por APIs O dado reforça um ponto central: a inteligência artificial precisa estar conectada aos sistemas, aos dados e aos fluxos reais da empresa para gerar resultados consistentes.

A IA generativa amplia a capacidade de análise, atendimento e apoio à decisão. Seu valor, porém, só se concretiza quando essa inteligência está integrada a processos automatizados, com regras claras, rastreabilidade e capacidade de execução de ponta a ponta. É nesse ponto que o BTO se torna estratégico: ele conecta tecnologia, pessoas e processos para transformar potencial em desempenho operacional.

O setor financeiro é um bom retrato disso. Segundo dados da McKinsey, instituições que lideram a adoção de automação já conseguem reduzir custos operacionais em até 50%. E olhando especificamente para processos de faturamento, levantamentos do setor apontam que empresas que automatizam esse fluxo registram, em média, redução de 40% no ciclo completo e ganho de 30% no fluxo de caixa.

Esses ganhos não vêm apenas de um chatbot. Eles surgem quando a IA é incorporada ao fluxo operacional: captura automática de dados, validações inteligentes, portais integrados e OCR para leitura de documentos que antes exigiam digitação manual. Assim, a tecnologia deixa de atuar de forma isolada e passa a favorecer diretamente o negócio.

O avanço da IA não reduz a importância desse trabalho; ao contrário, torna-o ainda mais urgente. À medida que as ferramentas evoluem, aumenta a distância entre organizações que apenas utilizam soluções de IA e aquelas capazes de conectar inteligência, dados e processos em uma operação segura, fluida e orientada a resultados.

Transformar tecnologia de ponta em processos que funcionam em escala, com segurança e continuidade, não acontece de forma automática. Exige conhecimento profundo do negócio e capacidade de integrar ferramentas, sistemas e fluxos operacionais.

Por isso, mesmo diante da evolução acelerada da IA, continua sendo estratégico contar com um parceiro capaz de construir a ponte entre tecnologia e operação, convertendo inovação em eficiência, escala e valor para o negócio.

Na sua empresa, a IA já está integrada aos processos críticos ou ainda opera de forma isolada?

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