Marketing orientado a dados: o papel essencial das operações de CX para alavancar reputação e vendas

Por André Pandolfi, VP Comercial e de Marketing da Atento no Brasil

A transformação digital elevou o nível de exigência dos consumidores e reposicionou a experiência do cliente (CX) no centro da estratégia de negócios. Hoje, reputação e crescimento de receita não são mais resultados apenas de campanhas criativas, mas da capacidade de capturar, interpretar e ativar dados ao longo de toda a jornada do cliente. Dessa forma, o seu uso estratégico passa a ser uma condição essencial e as operações de CX emergem como uma das principais fontes de inteligência e, cada vez mais, como alavancas diretas de reputação e vendas.

Dados recentes mostram uma mudança estrutural no papel do atendimento. Segundo relatório global da Salesforce, 85% dos líderes do setor de CX já são cobrados por contribuir diretamente para a receita por meio de retenção, upsell e cross-sell. Ao mesmo tempo, 88% dos consumidores afirmam que uma boa experiência aumenta a probabilidade de nova compra. Já um estudo da PwC indica que 32% dos clientes abandonariam uma marca após uma única experiência negativa.

Esses dados reforçam um ponto crítico: não basta atrair clientes, é preciso entregar experiências consistentes, personalizadas e relevantes em cada interação. E esse movimento posiciona a central de atendimento como um ponto crítico da jornada, onde marketing, vendas e relacionamento convergem em tempo real.

Tradicionalmente vistas como áreas operacionais, as operações de CX passaram a ser fontes riquíssimas de dados e insights. Cada interação carrega informações valiosas sobre comportamento, preferências, dores e expectativas. Enquanto o marketing tradicional opera com dados de campanhas e comportamento digital, o CX captura as informações mais ricas da jornada.

No entanto, o diferencial não está apenas na coleta de dados, mas sim na capacidade de integrá-los e transformá-los em ação. Quando estruturados e analisados de forma inteligente, alimentam estratégias mais assertivas, campanhas mais eficientes e decisões mais rápidas.

Nesse cenário, a convergência entre marketing e operações de CX se torna inevitável. O marketing passa a trabalhar em conjunto com as áreas de atendimento para alcançar uma visão unificada do cliente. Isso permite, por exemplo, personalizar comunicações em tempo real, antecipar necessidades e até mesmo identificar riscos de churn.

Outro ponto fundamental é o papel da inteligência artificial e da automação, que não apenas aumentam a eficiência operacional, mas também ampliam a capacidade de análise de dados em larga escala, permitindo que as empresas entreguem experiências hiperpersonalizadas de forma consistente.

No entanto, é importante destacar que tecnologia, por si só, não resolve o desafio. É necessário um modelo operacional integrado, com governança de dados, cultura orientada ao cliente, equipe especializada em análise e processos bem definidos. As empresas que conseguem alinhar esses elementos transformam suas operações de CX em verdadeiros hubs de inteligência.

Reputação e crescimento sustentável passam pela capacidade de entender profundamente o cliente e agir com agilidade. E o marketing impulsionado por operações de CX robustas e inteligentes, pode ser o caminho mais consistente para alcançar esse objetivo.

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