Será que vou precisar de um fornecedor de BTO, com o avanço da IA?

Por Luiz Gustavo Bueno Lopes

Tem uma pergunta que ouço cada vez mais nas conversas com clientes e prospects: “se a inteligência artificial está tão avançada, por que ainda preciso de um BTO?”

É uma pergunta justa. E a resposta diz muito sobre o que realmente move uma empresa.

IA sozinha não organiza uma operação

Modelos de linguagem escrevem, resumem, sugerem, respondem. Isso é real e é poderoso. Mas nenhuma empresa roda com respostas soltas, ela roda com processos: dados que precisam sair de um sistema legado, validações que dependem de regras de negócio específicas, integrações com Detran, com bancos, com sistemas que existem há vinte anos e não vão a lugar nenhum tão cedo.

Um levantamento divulgado pela Salesforce em fevereiro de 2026 traduz bem esse ponto: 96% dos líderes de tecnologia afirmam que o sucesso de agentes de IA depende diretamente da integração entre sistemas, e 94% dizem que isso vai exigir arquiteturas mais orientadas por API. Ou seja, mesmo entre quem já trabalha com IA de ponta, o consenso é o mesmo: a inteligência sozinha não resolve nada se não estiver conectada ao processo real da empresa.

A IA generativa é excelente para pensar. Mas quem faz o processo acontecer, de ponta a ponta, com rastreabilidade e sem depender de um analista clicando em quinze telas diferentes, é a automação bem desenhada. É aí que entra o trabalho de uma empresa de BTO.

O setor financeiro é um bom retrato disso. Segundo dados da McKinsey, instituições que lideram a adoção de automação já conseguem reduzir custos operacionais em até 50%. E olhando especificamente para processos de faturamento, levantamentos do setor apontam que empresas que automatizam esse fluxo registram, em média, redução de 40% no ciclo completo e ganho de 30% no fluxo de caixa.

Nada disso vem de um chatbot respondendo perguntas. Vem de IA aplicada dentro de um processo real: captura automática de dados, validações inteligentes, portais integrados, OCR lendo documentos que antes exigiam um humano digitando linha por linha. A tecnologia entra onde o trabalho de fato acontece, não ao lado dele.

O avanço da IA não torna esse tipo de trabalho menos necessário, torna mais urgente. Quanto mais rápido as ferramentas evoluem, maior a distância entre quem só usa IA no dia a dia e quem consegue costurar IA, dados e processos numa operação que realmente entrega resultado, com segurança e sem gargalo.

Essa costura, pegar tecnologia de ponta e transformar em processo que funciona, escala e se sustenta, não é automática. Exige entender o negócio por dentro, não só a ferramenta.

É por isso que, mesmo com toda a evolução da IA, continua sendo importante ter quem cuida dessa ponte entre a tecnologia e a operação real.

E aí, sua empresa já sentiu essa diferença entre usar IA e ter IA de fato integrada ao processo?

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